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10/03/2016

Mercado de biomassa amplia operações no Brasil e projeta crescimento a partir da geração com cana de açúcar

Mantendo custos competitivos em relação a outros combustíveis, os pellets de biomassa vêm sendo foco de investimentos no mercado asiático e contam com grande potencial


Mercado de biomassa amplia operações no Brasil e projeta crescimento a partir da geração com cana de açúcar

Mantendo custos competitivos em relação a outros combustíveis, os pellets de biomassa vêm sendo foco de investimentos no mercado asiático e contam com grande potencial para se firmar na indústria nacional por meio da palha de cana de açúcar. É neste segmento que vem atuando a Cosan Biomassa, empresa brasileira que investe hoje no fornecimento de biomassa e amplia a capacidade de sua planta produtiva em Jaú, São Paulo: até 2025, a previsão é de que a unidade consiga gerar 2 milhões de toneladas de pellets. A empresa, que recentemente teve 20% de seus ativos adquiridos pela japonesa Sumitomo em acordo de R$ 70 milhões, busca ampliar hoje sua base produtiva no Brasil e conta com índices otimistas para os próximos anos. De acordo com o presidente da Cosan Biomassa, Mark Lyra, o país deixa de aproveitar, todo ano 80 milhões de toneladas de pellets de cana, volume que equivale a 30% da produção da Petrobrás. Ainda em fase inicial na indústria brasileira, o setor tem potencial para disputar mercados com outras fontes nos próximos anos e pode ampliar sua participação na matriz brasileira com a consolidação de novos aportes que estabilizem seu preço. Segundo Lyra, o pellet caminha para se tornar uma nova commodity. “Para criar um mercado em torno disso, precisamos de um planejamento de longo prazo, com uma garantia de preços para disputar investimentos e infraestrutura para captar essa energia.

A Cosan Biomassa tem foco no fornecimento ao mercado brasileiro?

Sem dúvidas. No mercado nacional, com os atuais preços de óleo combustível e gás natural, conseguimos oferecer para a indústria uma alternativa de passar para a energia renovável com o mesmo custo. Não é necessário ter um subsídio, como acontece na Europa. Como o mercado doméstico não exige um grande preço de transporte, é possível ser mais competitivo sem adicionar custos.

Quanto representa o mercado nacional para a empresa?

Hoje temos uma planta em Jaú (SP), que entrou em funcionamento no final do ano passado. Estamos aumentando gradativamente o nível de produção, e a nossa expectativa é de que o mercado nacional possa representar entre 40% e 50% do nosso volume total de produção. Esperamos atingir com a planta uma capacidade nominal de 2 milhões de toneladas até 2025.

Qual a perspectiva de crescimento para este ano?

Ao longo deste ano devemos chegar à capacidade total da planta, e a partir do ano que vem ela já vai operar com esse nível. Mas como estamos constantemente identificando oportunidades de melhorar a unidade e aumentar a eficiência, muitas vezes precisamos parar a planta para implementar mudanças. A ideia não é produzir tanto este ano.

A empresa avalia criar uma nova unidade?

Nós temos estudos, mas nada concreto neste momento. Vamos depender ainda do nível da demanda e da remuneração do capital, tanto no Brasil quanto no exterior. Isso vai ser uma combinação de fatores. Mas nós pensamos em contratos de longo prazo com nossos clientes, e pretendemos financiar esses novos projetos com capital nacional e estrangeiro.

Qual foi o valor do acordo com a Sumitomo, e qual será o papel desempenhado pela empresa?

Nós vendemos 20% da empresa para a Sumitomo, em acordo de R$ 70 milhões. Ela é minoritária e não tem nenhuma obrigação propriamente dita, mas sendo ela hoje a maior empresa japonesa de biomassa, conhece muito bem esse mercado há mais de 30 anos. Ela tem entrada com clientes no Japão, e isso é algo que, sem dúvidas, vai gerar muito valor para o negócio. É uma gestora estratégica.

O mercado asiático está investindo cada vez mais em outras fontes renováveis, como a eólica e a solar. Como a Cosan Biomassa busca se firmar nesse setor?

Os pellets tem um papel muito importante na matriz energética renovável.  O fato de a biomassa ser uma energia despachável, que não depende de condições naturais, permite que países como Japão e Coréia coloquem isso como energia de base. O governo japonês já estabeleceu que até 2030 vai precisar de 10 a 20 milhões de toneladas de biomassa, então acreditamos que os pellets terão um papel relevante.

O custo é competitivo em relação às outras energias?

Sem dúvidas. Há inclusive um estudo publicado pela União Europeia (UE) que compara o custo da energia gerada pela biomassa com o de outras fontes, e mostra que ela é mais competitiva. A cada dólar investido em incentivos a energias renováveis, você gera mais MW a partir da biomassa.

Como esse mercado pode se expandir no Brasil?

Nós estamos tratando de fazer uma commodity. A energia presente na biomassa de cana que deixamos de aproveitar todo ano, de cerca de 80 milhões de toneladas de pellets, é equivalente a 30% da produção total da Petrobrás. Existe uma quantidade de energia muito relevante. Para criar um mercado em torno disso, precisamos de um planejamento de longo prazo, com uma garantia de preços para disputar investimentos e infraestrutura para captar essa energia. Nós encontramos uma política desse tipo na Europa, no Japão, mas no Brasil ainda não temos. Aqui, o que vemos como possibilidade são acordos bilaterais, como o da Cosan com indústrias privadas para investimentos em contratos de longo prazo. Pensando 20 anos à frente, com uma estrutura construída, é possível ter um mercado mais forte, que gere uma nova commodity em torno dessa energia renovável.

Já foi fechado algum acordo desse tipo no Brasil?

Nós temos conversas bem avançadas com algumas empresas. Algumas indústrias usam hoje óleo ou gás natural como combustível, e é uma conta bastante simples de ser comparada por tonelada. Nós podemos travar o nosso custo de fornecimento a longo prazo, ou podemos estudar maneiras de fazer com que esse preço acompanhe o do óleo e do gás.

Há alguma nova tecnologia sendo desenvolvida?

É o que mais temos feito. Temos um financiamento da FINEP voltado ao desenvolvimento de tecnologia e inovação para viabilizar a criação desse novo mercado, e estamos fazendo investimentos em pesquisas de novas culturas energéticas, imaginando um momento em que possa valer à pena cultivar variedades de cana ou outros plantas para gerar biomassa. Também temos feito muita pesquisa e desenvolvimento para processos de recolher a palha de cana no campo. A nossa planta hoje é única no mundo, e estamos constantemente aprendendo maneiras de tornar o processo mais eficiente.