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02/06/2016

Parente pretende manter plano de venda de ativos e apoia revisão das regras do Pré-sal

O novo presidente anunciou que vai continuar com a política de venda de ativos, seguindo a linha de desinvestimentos iniciada pelo seu antecessor, Aldemir Bendine.


Parente pretende manter plano de venda de ativos e apoia revisão das regras do Pré-sal

O novo presidente anunciou que vai continuar com a política de venda de ativos, seguindo a linha de desinvestimentos iniciada pelo seu antecessor, Aldemir Bendine. Em relação às regras do pré-sal, Parente declarou que apoia o projeto de revisão da operação única, tirando a obrigatoriedade da Petrobrás de participar de projetos de exploração na área. Segundo o executivo, o interesse é que a estatal tenha o direito de preferência, e não a obrigatoriedade – o que, de acordo com ele, postergaria muito o desenvolvimento de projetos da estatal no pré-sal. O novo presidente ainda revelou que em até 120 dias será feita a revisão dos planos estratégicos da companhia para “sinalizar o caminho no médio e no longo prazo”.

Sobre a venda de ativos, Parente disse que a decisão de continuar se desfazendo de bens leva em consideração a dívida muito grande que a empresa tem atualmente e o cenário de preços do barril beirando a casa dos US$ 50. “Nós vamos trabalhar para identificar aqueles ativos que possam ser objetos de desinvestimentos e que não prejudiquem a empresa do ponto de vista da sua estratégia”, explicou.

Apesar de não citar quais ativos serão colocados à venda, o presidente da Petrobrás foi enfático ao dizer que continuar com o plano de desinvestimentos é “crucial” para que a empresa fortaleça seu caixa e reduza a dívida. “Os desinvestimentos serão fundamentais para este objetivo. Aliás, [a Petrobrás] não estará sozinha nesse esforço. O novo patamar dos preços do petróleo levou companhias no mundo inteiro a revisar suas carteiras de ativos”, ressaltou.

O novo presidente da Petrobrás também defendeu a revisão da lei do pré-sal. Ele sinalizou que apoia a substituição da obrigação de participação de 30% na exploração de cada campo pelo “direito de preferência”. A participação da estatal nos projetos não seria fixa, mas seria definida a partir da avaliação da própria Petrobrás. Diante de uma plateia repleta de representantes da indústria, esta fala foi acompanhada de aplausos. “Essa lei [do pré-sal] não atende nem aos interesses da empresa e nem do país. Com a nossa corrente situação financeira, se esta exigência não for revista, a consequência será o retardamento da exploração do potencial do pré-sal”. Parente também destacou que a obrigatoriedade retira a liberdade de escolha da empresa, forçando-a a participar de projetos que não atendam os interesses da companhia.

Pedro Parente revelou que ele e sua equipe vão concluir em, no máximo, 120 dias a revisão da estratégia da companhia, com o estabelecimento de “road maps” para todas as iniciativas estratégicas. “Essa revisão servirá como guia para a atuação da Petrobrás na solução dos seus problemas mais imediatos, e sinalizará também para onde vamos caminhar no médio e no longo prazo”, explicou.

O executivo comentou sobre sua posição em relação à política de conteúdo local, a qual considerou “necessária”. Contudo, ele indicou que essa política precisa incentivar a inovação e que a produção nacional deve ser de qualidade, com custos e prazos adequados para as necessidades da Petrobrás. “Que [a empresa beneficiada pela política de conteúdo local] prevaleça pela competência que lhe permita passar pelo teste ácido da concorrência, e não pela constituição de reservas de mercado, que só têm apresentado resultados pífios, especialmente nos prazos de entrega”, criticou.

Parente apresentou ainda os três pilares da sua administração. O primeiro é a consolidação da nova governança da estatal, para recuperar a credibilidade da empresa – afetada após os escândalos revelados pela Lava Jato. O segundo pilar é a adoção da responsabilidade econômica e financeira em todos os planos da empresa. “Todos os investimentos devem ter clara relação com a capacidade de gerar retorno econômico adequado. Este princípio norteará nosso plano de investimentos e a política de preços de nossos derivados”. O terceiro e último pilar é o fortalecimento da gestão de riscos da companhia.